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Poema Modernista

 
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Em artigo de "Correio da Manhã" datado de 12 de maio de 1935, Júlio Dantas escarnece da poesia moderna, não passando, a seu ver, alguns poemas, de meros arranjos tipográficos e exemplifica:

Em que nos distinguimos
os vivos dos mortos?
Os mortos são pó,
nós também somos pó;
Em que nos distinguimos,
uns dos outros?

Os vivos são pó levantado,
os mortos são pó caído.
Os vivos são pó que anda; os mortos
são pó que jaz.

Não aquieta o pó, nem pode estar quêdo.
Anda, corre, voa,
entra por esta rua,
sai por aquela.
Já vai adiante,
já torna atrás
Tudo enche, tudo cobre, tudo envolve,

tudo toma, tudo perturba,
tudo cega,
enquanto o vento dura.
Acalmou o vento,
cai o pó.

E assim termina: "Sabem o que é isto? Um treco do "Sermão de Quarta-Feira de Cinza", do Padre Antonio Vieira.

Julio Dantas (1876-1963) Jornalista, crítico, romancista e teatrólogo português, célebre pela peça: A Ceia dos Cardeais.

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